Olá, Rui. Posso dar-lhe uma palavrinha?

14 abril, 2016


Obrigada! Só queria dizer-lhe que o orgulho que tenho no seu trabalho há-de ser muito parecido com o orgulho que o professor sente na equipa que treina. Sabe que eu fiz-me de esquisita no início da época. O meu pai já me tinha dito que o via a assistir a todos os jogos do Benfica lá escondido no camarote mas eu sempre achei que isso era só para me atazanar. 'O Rui Vitória no Benfica, pai? Um forcado politicamente correto, que nem deve conseguir levantar a voz aos jogadores. Não me parece'. Faltou-me a sensibilidade feminina para perceber que a ponderação e a paciência são duas virtudes que, sim, os melhores treinadores possuem. Estava habituada a gritarias, sabe? Perdigotos cuspidos no meio de pontapés gramaticais e o envaidecimento ensurdecedor de quem sabe que é bom. Alguém que o estude para perceber como é que conseguiu apresentar uma capacidade competitiva tão grande quando, a meio da época, já ninguém dava nada pela equipa. É isto a raça, o crer e a ambição que tanto apregoamos, não é? Dizem que o sonho europeu do Benfica terminou mas eu sinto que, agora sim, está a começar e sei que me entende. Agora provámos estar à altura dos melhores da Europa, a mesma que, tenho a certeza, vai passar a olhar-nos com outros olhos. Jogámos sem a nossa melhor tripla, caramba! Obrigada por isto. É certo que ainda não ganhámos nada e as vitórias morais valem zero na contagem mas obrigada pelo melhor ataque e pela melhor defesa do campeonato, e por responder de cabeça erguida e sem histerismo a todas as críticas. Obrigada por ter acabado o jogo no meio de nós, provando que é um dos nossos e que está à altura da responsabilidade de conduzir os nossos sonhos, com competência e amor. Podemos não ganhar nada mas queria mesmo dizer-lhe isto antes que se vá embora para a natação ou para outro sítio qualquer. #Rumoao35, já sabe! Obrigada.