Olá, Rui. Sou eu outra vez.

12 maio, 2017


Lembra-se da nossa conversa do ano passado? Na altura duvidada da sua falta de temperamento, do politicamente correto das palavras e de como isso me fazia antever uma época pouco auspiciosa. Felizmente engoli tudo a tempo e ainda lhe agradeci por ter essa postura.

Este ano já não me deixei enganar. Começámos a jogar bem, depois mal, depois com maus resultados, substituições desinspiradas e pensei: “É este ano que o gajo perdeu a raça e a vontade de arriscar”. Achei que a ponderação e a estratégia jogo a jogo que tanto proclama podiam redundar em nada. Depois percebi rapidamente que a estratégia era mesmo essa. Para o sucesso ser alcançado o caminho nem sempre tem graça – o que também é muito o meu sentimento com a gravidez, sabe? - Desde que o objectivo final seja cumprido não importa que o percurso seja sinuoso ou pouco interessante, isso até nos ajuda a manter o foco sem grandes fogos de artifício (ou notas artísticas) a distrair-nos.

É certo que os eternos rivais começaram bem e sempre a rondar, o Sporting com uma equipa cheia de vontade e o Porto, morno, mas a safar-se bem. Com o tempo a coisa mudou também para esses. O Sporting a perder o gás e a cabeça e o Porto – ainda sem jogar à Porto – mas a marcar as jornadas com vitórias.

Nesta segunda fase do campeonato vinham os supostos jogos grandes e difíceis e aí a sua estratégia vingou também pelos erros dos outros.  Nuno Espírito Santo não mostrou vontade de ganhar na Luz e Jesus deixou-nos claramente ganhar ao Sporting. Palmas, contudo, para a liberação de Lindelof na marcação daquele livre. Foi tão bonito que até me engasguei com a bifana!

Oh Rui, você não tem favoritos e isso agrada-me. Trata cada jogador como igual e não os roda “só porque sim”, mas pelo bem da equipa. Não há estrelinhas para si, só objetivos para cumprir. Adoro esse pragmatismo que me faz acreditar que o talento não existe ou, pelo menos, não funciona quando desacompanhado de outros tantos requisitos. Até os que parecem mais talentosos morrem na praia, perdem o norte…e os campeonatos. Como disse e bem: "Se o tetra fosse fácil, já tinha acontecido na história do Benfica". Orgulho-me agora, depois da reflexão, em perceber que o caminho do Vitória para a vitória pode não ser o que nos oferece a paisagem mais bonita, mas sabemos que a recompensa está quando finalmente chegamos ao fim da estrada ou, neste caso, ao fundo da baliza do Guimarães. Assim espero. Rumo ao 36  e cuidado a levar essa perna para o Marquês :)