Esse pecado que é ser magra

11 março, 2016


Nunca fui gorda. A minha barriga nunca cresceu e nunca fiz dieta. No entanto, quando entrei na faculdade,  a mudança de hábitos e de amigos, o aparelho nos dentes e a pressão do curso levaram-me até aos 45 kilos. Não tive qualquer distúrbio alimentar ou doença de outra ordem nem nunca deixei de comer mas quando estou em stress perco peso. Há quem ganhe, eu perco. Lembro-me de ficar sempre extremamente triste quando alguém olhava para mim e me perguntava: “Estás tão magrinha, o que se passa?”. O que se responde a isto? “Pois estou, mas não é porque quero. Não quero que me elucidem do óbvio muito menos com esse olhar acusador de quem me diz que não posso estar “tão” magrinha. Os gordos são-no por escolha? Não me parece e, espante-se, também há magros que não o escolhem ser”.

Há dois anos, quando comecei a fazer exercício mais a sério o objetivo não era emagrecer, claro, mas ganhar músculo, o chamado tonificar. Continuo magra, mas agora nos 53 kilos. A massa muscular é mais pesada que a massa gorda, sabiam? Sou naturalmente assim, sou saudável e sou ainda mais forte. Mas ultimamente parece que há um ataque generalizado contra os corpos franzinos e está na moda contratar modelos plus-size para mostrar que esses, sim, são os corpos reais. Ah? Estão a tentar dizer-me que não sou uma mulher real porque sou magra, ou musculada ou um assim-assim das duas? A sério?

Se a ASA em Inglaterra proíbe atualmente marcas de roupa de ter raparigas magrinhas nos seus catálogos, é porque considera os corpos magros ofensivos? O facto de sermos magras está a legitimar-lhes a ofensa em que sentido? Senhores das marcas, do marketing e da promoção da imagem do corpo: não me digam que contratam modelos de tamanhos grandes porque são essas as mulheres reais, as de anca larga, pneuzinho e celulite. Não me digam também que as modelos sem maminhas e pernas finas são o protótipo de beleza.  Mostrem-me tudo. As magras e as gordas. As musculadas e as assim-assim. Mostrem-me, acima de tudo, todas elas com saúde. Eu percebo que o problema aqui seja a proclamação de que o corpo magro é o único corpo bonito que existe mas estamos em 2016, minha gente. Já todos sabemos que isso não é verdade.