Osteopatia na Gravidez: Perguntas e Respostas

28 agosto, 2017


 

Antes de ficar grávida não fazia ideia o que era ao certo a osteopatia, mas quando na Sementes d’Amor me disseram para experimentar percebi que era mais uma coisa a ter em conta nesta fase. A osteopatia é uma prática medicinal alternativa que manipula as nossas articulações e tudo o que é tecido mole. Sem recorrer a medicamentos, o objetivo é que o corpo se ajude a ele próprio  a "curar-se sozinho”. E o que é que é preciso curar na gravidez, afinal? Todo um corpo que entrou em desequilíbrio por culpa das hormonas, do peso e de tudo. Há dores nas costas, nas pernas, nas virilhas e sei lá que mais. A osteopatia vai ajudar-nos a nós, grávidas, principalmente na altura do parto normal. Aí sim, minhas lindas, queremos ter o cóccix no lugar e não queremos rasgões no períneo nem coisas (ainda mais!) feias nas partes baixas.

Tenho feito diretos no instagram (sigam @a_pipelina, já agora) nas minhas consultas osteopáticas com a Dra. Daniela e vocês têm feito as vossas perguntas. Ficam aqui algumas das que considero mais importantes nesta fase de gravidez e pós-parto. Se tiverem mais alguma pergunta têm aqui em baixo a caixinha de comentários :)

P: Em relação à epidural: é verdade que não conseguimos fazer a força necessária na altura da expulsão se estivermos anestesiadas? A epidural aumenta assim a probabilidade de uma episiotomia - corte do períneo?

R: A epidural tira a nossa sensibilidade da região dos membros inferiores incluindo a parte pélvica mas não perdemos a força. O que acontece é que no período expulsivo devemos fazer a força quando vem a contração e com a epidural não sabemos quando isso está a acontecer. Assim estamos dependentes do que o obstetra ou enfermeiro que está connosco nos diga para fazer. No entanto, também podemos ter dificuldade em saber se essa força que fazemos é a adequada ou não. Não esquecer que na altura do parto não se deve contrair o períneo, o que queremos é relaxar o períneo e contrair o abdominal. Precisamos de canalizar a nossa força para esses dois movimentos que são distintos. Se queremos fazer epidural temos que ir treinando essa força no pré-parto para conhecermos bem a sensação desses movimentos. Mais do que o corpo, implica treinar a mente. Basicamente não é a epidural que aumenta a probabilidade de um episiotomia, é sim a consciência corporal.

P: Para a massagem perineal a Dra. aconselhou o creme da Weleda mas pode ser qualquer um desta marca ou existe um específico para massajar o períneo?

R: Existe um específico da marca que se chama óleo de massagem perineal. Contém na composição óleo de amêndoas doces e óleo de gérmen de trigo, é tudo natural e biológico. Há vários cremes e óleos para este efeito específico, ou seja, convém que seja um óleo/creme que estimule o relaxamento das fibras musculares da estrutura perineal.

P: Já li muita coisa a desaconselhar a massagem diária do períneo porque o músculo pode ganhar demasiada elasticidade e não voltar ao lugar, é verdade?

R: Não, não é. Devemos alongar todos os músculos diariamente, tanto que nos sentimos sempre melhor quando nos espreguiçamos e devemos fazê-lo todos os dias e sempre que nos apetecer porque se temos essa vontade é porque o músculo tem tensão acumulada que precisa de ser libertada. Não existe o perigo de “esticarmos” demais o músculo perineal. É claro que temos de continuar a fazer também os exercícios de Kegel, tendo a certeza que estamos a contrair o períneo e não os glúteos ou o abdominal. Um profissional pode ajudar-nos a fazer bem estes exercícios.

P: É mesmo verdade que a osteopatia pode ajudar a engravidar? Mas como?

R: Há vários factores para que uma mulher não consiga engravidar. Por exemplo, uma mulher que  passou por uma cirurgia na zona pélvica ou abdominal tem cicatrizes internas, sendo que o nosso corpo está em constante movimento, isso significa que quando há uma cicatriz há uma hipomobilidade, ou seja, um fluxo de energia e de movimento que é interrompido e isso vai afetar a parte da fertilidade. O movimento do útero, dos ovários, das trompas vai estar dificultado o que pode perturbar uma fertilização. Outro exemplo: uma mulher que tenha uma alteração cranial que perturbe o funcionamento correto do hipótalamo e da hipófise - zonas do cérebro responsáveis pela produção das nossas hormonas - também pode ver a sua fertilidade afetada. Em qualquer um dos casos a osteopatia pode ajudar a resolver o problema. Não há nada como ser avaliado por um profissional para saber se tem alguma destas condicionantes.

P: Fui mãe há um ano e as minhas dores nas costas pioraram desde aí. A osteopatia pode ajudar-me?

R: Há várias razões para se ter dores de costas, pode ser bloqueios ósseos ou articulares, tensões musculares, etc. O osteopatia terá que avaliar, tratar e, claro, manda sempre trabalho de casa para que a pessoa possa sozinha continuar a aliviar a dor.

P: Existem contra-indicações da osteopatia na gravidez ou qualquer grávida pode fazer?

 R: Existem sim e nalgumas gravidezes de risco, dependendo do risco, é preciso avaliar se se deve ou não atuar. Por exemplo, um colo curto é uma gravidez de risco mas nós, os osteopatas, podemos e devemos atuar. porque temos ferramentas que podem ajudar a que esse colo deixe de ser curto e comece a ter a dimensão suposta. No caso de um descolamento de placenta já não devemos mexer.

P: Fiz duas cesarianas porque me foi dito que a minha bacia era demasiado estreita. Poderia ter evitado este cenário se tivesse recorrido previamente a um osteopata?

R: Não é certo. Existem bacias mais estreitas, é um facto mas durante a gravidez produzimos uma hormona, a relaxina, que tem o papel de relaxar todos os nossos movimentos para que o nosso corpo permita acomodar o bebé que está a crescer. O que acontece é que algumas mulheres têm lesões anteriores à gravidez, muitas vezes uma queda que deram em criança, e têm a bacia, não estreita, mas sim hipomóvel. Tudo tem a ver com mobilidade e é isso que a osteopatia tenta repor. Esta hipomobilidade pode fazer com que a relaxina não faça o seu trabalho e, nesses casos, basta haver um desbloqueio dos ossos para que a relaxina fluía, o bebé se possa acomodar e aquela articulação se possa estirar. Não nos podemos esquecer é que há bebés gigantes e mães pequeninas e aí é complicado, embora por norma exista compatibilidade feto-pélvica e o bebé esteja feito à medida daquela bacia.