"O que é isso que o bebé tem na cabeça?"

13 outubro, 2017


O Eusébio nasceu com a ajuda de uma ventosa. Não fiquei assustada porque estava consciente do que isso significava. No curso pré-parto falou-se imenso do parto instrumentalizado e, naquela hora, perante a urgência de nascer, com o cordão umbilical à volta do pescoço e um aparente colo estreito, a ventosa foi uma necessidade. Correu tudo bem e o bebé ficou apenas com um alto proeminente do lado direito da cabeça. Tudo normal, advertiram-me todos os pediatras que o viram na maternidade naqueles três dias. A tração da ventosa puxa o crânio e pode criar uma espécie de hematoma. O altinho, mole por sinal, não era mais do que sangue acumulado entre a parte externa do crânio e o próprio couro cabeludo que o corpo seria capaz de reabsorver naturalmente. Eu sabia disto e esse facto nunca me preocupou. Até vir para casa e começar a receber visitas! Aparentemente a maioria conhece o filho de um amigo da prima que também ficou com um alto do género: “não te preocupes, isso passa daqui a dois dias, tens sorte que o filho do amigo da minha prima tinha a cabeça em forma de abacate”. Ok, safei-me dessa parte do abacate mas na verdade o alto continuava lá ao fim de dois dias, e ao fim de duas semanas, e ainda lá estava no dia em que o Eusébio fez um mês. Continuámos alegremente no campo da normalidade até começar a ouvir coisas como “tens a certeza que isto não lhe prejudica o cérebro?”.

Quem o via mais vezes fazia questão de falar sempre no assunto e mesmo no Instagram recebi mensagens de preocupação com várias pessoas a perguntarem o que é que o bebé tinha na cabeça e se era grave. Vamos lá ser honestos, até a mais descontraída das mães começa a ficar ligeiramente ansiosa com a inquietação destas interrogações, certo?

Ao fim de um mês percebemos que a bossa tinha diminuído mas continuava lá, com a variante de agora estar quase toda ela dura e não mole. O pediatra voltou a desvalorizar mas concluiu que o edema tinha calcificado e agora aquilo só com o passar dos anos ia ao sítio e, se não fosse, ele podia sempre disfarçar com o cabelo. Uau, que sorte!  Já estava eu descontraída como sempre e toda contente a amar a falta de normalidade da cabeça do meu filho quando recebo uma mensagem da minha osteopata. Afinal não só era possível corrigir as alterações no crânio do Eusébio como seria fundamental para o futuro dele a vários níveis. E eu que já tinha lido que todos os bebés devem ter, não só um bom pediatra, mas também um bom osteopata, ainda não me tinha lembrado disto (sorry, Dra. Daniela!). Bebés que nascem com ventosa ou outro instrumento devem ser vistos antes dos 2 meses por um osteopata porque a tração da ventosa provoca pequenas alterações que devem ser corrigidas antes do crânio começar a fechar. Ufa, fomos mesmo a tempo! Ao fim da primeira consulta com as massagens que libertaram a tensão naquela zona do crânio o edema tinha desaparecido na TOTALIDADE. Ficou apenas um pequeno alto que é o próprio osso que agora precisa de espaço para voltar ao sítio. Nada que mais umas massagens não resolvam. Eu sei que isto pode, à primeira vista, não parecer um grande problema, mas quando sabemos de bebés que choram sem parar, que não dormem, que sofrem imenso com cólicas ou refluxo, podemos estar a falar de bebés que sofreram um trauma músculo-esquelético deste ou outro género durante o parto. Com a osteopatia corrige-se essas disfunções e evitam-se as consequências. O Eusébio agora não se queixa mas mais tarde podia vir a ter problemas posturais, por exemplo. E ia também pedir-me para usar boné para sempre, claro.

Assim, se o vosso bebé sofre de alguma das seguintes alterações, não deixem de consultar um osteopata:

dificuldade na sucção;

choro excessivo;

cólicas;

obstipação;

refluxo e bolsar frequente;

alterações do sono;

torcicolos;

alterações e assimetrias crânio-faciais;

infecções respiratórias;

Eu aconselho a Dra. Daniela Ganchas que dá consulta no centro Sementes d’Amor.  Para a semana lá vamos nós outra vez. O Eusébio está sempre desperto e adora as massagens e até eu fico mais relaxada a olhar para ele.