Coisas que te acontecem quando casas mas ninguém te vai avisar com antecedência

22 março, 2017


Já lá vão dois anos e sete meses mas podiam ser dois dias, porque não há um desses dias que passe em que não veja nele algo de novo. Não sinto que o casamento pese ou que já tenha passado demasiado tempo. O que é isso do demasiado tempo quando se gosta de alguém e se quer partilhar tudo, desde o bolo de chocolate ao mundo inteiro? Eu sei que o casamento não tem a melhor das reputações mas, para mim, simboliza a celebração do amor e sabe a morangos frescos mesmo quando estão fora de época. E agora chega de lamechice que eu detesto essas merdas. Prefiro enunciar uma série de coisas mais ou menos estranhas que acontecem quando casas mas parece que ninguém se lembrou de te avisar.

Desenvolves um novo nível de confiança. Quer uses ou não o último nome dele, a partir de agora quando o apresentas ele é o “teu marido”, aquela aquisição que te garante a credibilidade necessária numa festa cheia de adultos engravatados ou num balcão das finanças.

Deixas de te preocupar com as pequenas imperfeições. Sim, as tuas. Uma borbulha nova não é um escândalo, muito menos para a pessoa que todos os dias te vê adormecer a babar para a almofada e a acordar toda esborratada de rímel. O teu cabelo é lindo ao natural bem como as tuas curvas e o fato-de-treino que usas ao fim-de-semana. Esta és tu e isso é tão bom!

Compromisso passa a ser uma palavra fofinha que usas muitas vezes. E com ela lealdade, cedência, respeito, cedência, cumplicidade…e cedência. As tuas decisões não te afetam só a ti e aprendes a viver melhor em comunidade. Uma comunidade de dois baseada numa data de fatores que faz com que arranjem sempre maneira de chegar a um consenso.

Ficas paranóica com a idade e com o tempo. Casas e passas a ter automaticamente mais anos do que aqueles que estão no cartão de cidadão. E mesmo quando insistes que tens menos de 30 há quem ainda franza o sobrolho à procura de uma resposta ao “então porque é que casaste?” que lhe assola a alma. E se a pressão social para casar só “depois de velho” parece existir, essa é proporcional à pressão para teres filhos assim que casas, como se uma coisa não sobrevivesse sem a outra.

Percebes que dormir é importante e que tens um lado preferido da cama. Não precisas de impressionar ninguém a dançar até às 7 da manhã, sempre regadíssima de gin tónico. É muito mais interessante deitares-te numa cama com aquecimento natural - o dele - mas, obviamente, do teu lado favorito.

Finalmente há uma lógica interessante para o sexo com data e hora marcada. Ah e tal, o casamento acaba com o sexo louco e desenfreado e não sei quê, diz quem não sabe ou quem teve uma má experiência. A questão é: vão ser os dois pessoas ocupadas, com trabalho, uma casa a precisar de ser arrumada, roupa para passar, carros para levar à revisão e um cão que não se cuida sozinho. Mas ainda bem que se inventaram as agendas. Podem não marcar nada mas, pelo menos, se marcarem, sabem que a tarefa fica feita ;)

Transformas-te  na maior especialista em assuntos amorosos mesmo que só tenhas tido um namorado que, por acaso, agora é o teu marido. Casaste, deste esse passo gigante e assustador ( que no fundo foi uma festa brutal para toda a família e amigos onde te divertiste imenso, mas ninguém precisa de saber que não foi assustador na mesma) e por isto, parabéns!, estás apta a dar conselhos à amiga solteirona, divorciada ou encalhada, mesmo que não faças a mínima ideia de como é, foi ou vai ser o relacionamento dela. Fantástico, ah?