Não vou fazer lista de resoluções para 2018

A nova maneira de cumprir objetivos

29 dezembro, 2017


“Um bebé que seja tão saudável como a mãe e tão doido como o pai”, foi esta a resolução que escrevi no balão na noite de 31 de janeiro de 2017. Lançámos juntos aquele balão onde ía inscrito o único objetivo que tinha imaginado para este ano. Sem pressões e sem saber ainda que a resolução já tinha batidas cardíacas a abanar o meu útero. Parece fácil, ah? Vivi o ano inteiro com o pensamento nesta resolução. Substituímos Cuba por Menorca por ser uma viagem de avião mais curta e com menos riscos para o meu novo estado e adaptámos a nossa vida à nova vida que aí vinha. Lancei a rubrica “Como assim estou grávida?” no Youtube onde entrevistei várias grávidas e recém-mamãs. Conversas incríveis que dispensaram muita leitura e me ajudaram a controlar a ansiedade. Aliás, a gravidez acalmou-me, quase tanto como o nascimento do bebé me tornou mais ponderada em tudo o que faço. Continuei os meus treinos de ginásio reduzindo os pesos na musculação e abrandando o cardio mas sem nunca parar até dar à luz. E por falar em luz, continuei a ver todos os jogos em casa do Benfica para acabar em Maio a festejar o Tetra no Marquês. Sempre de pança e sempre com vergonha de pedir para passar à frente nas filas do supermercado. Não conseguimos fazer o périplo usual dos festivais de verão mas aguentei-me bem naqueles a que fui: Sumol Summer Fest e Super Bock Super Rock de microfone na mão, NOS Alive a evitar ao máximo as cadeirinhas do Espaço para Grávidas porque ao fim do primeiro dia percebi que estavam todas com medo de fazer o belo jump up and down! O Bons Sons foi o último, só porque tinha mesmo que ver Capitão Fausto pela centésima vez num ano. Tudo parecia fácil e tranquilo mas secretamente eu achava sempre que não ia cumprir a resolução, que a qualquer momento ia escorregar e perder o bebé, que o coração dele ia parar de bater só para eu não ter a mania, que as coisas não corriam bem só porque eu queria. Quando me mentalizei que era a Natureza que decidia tudo e eu só tinha que viver a minha vida normalmente, sem culpa e grande espalhafato, fui deixando esse pensamento de lado. A barriga ía crescendo, o calor ía aumentando e 15 dias antes da data lá veio ele, o pequeno Eusébio. A 4 meses do final do ano a resolução estava cumprida… ou não. Agora vinha a melhor parte, o acordar de duas em duas horas para dar de mamar, os choros indecifráveis, o preço absurdo das fraldas e aqueles olhinhos rasgados prontos para me fazer esquecer isso tudo. Ainda é cedo para perceber se vai ser tão doido como o pai, mas é claramente mais saudável do que a mãe que adoeceu mais nestes meses do que em 30 anos de existência.  Percebi, por fim, que a resolução de 2017 é  uma resolução para a vida toda e que a partir de agora todos os objetivos, seja de que prazo forem, serão cumpridos com este novo ser-humano ao meu lado. É por isto que não vou fazer mais listas para o futuro, mas sim lista dos anos passados como esta que vos escrevi. Se nos focarmos em tudo o que já conseguimos atingir evitamos frustrações e vivemos muito melhor o nosso presente, que é no fundo a melhor maneira de se viver. Let it be, minha gente, let it be.