O meu parto foi uma hora pequenina

O nascimento do Eusébio

05 setembro, 2017


Na semana em que o Eusébio nasceu e no topo das minhas 37 semanas de gravidez estava a começar a escrever um post sobre o porquê de não querer uma hora pequenina. Toda a gente o diz e traduz o desejo de que o parto seja rápido e o menos indolor possível. Mas eu não queria uma hora pequenina. Não queria se isso significasse um bebé que tinha que nascer rápido quando sabemos que o caminho a percorrer ainda é longo e convém que seja feito com calma, e a parte do indolor, well… sabemos que naturalmente também não o é. Porém, naquela manhã acordei com líquido a escorrer-me pelas pernas abaixo. Era pouco mas estava lá. Sabia que a hora estava próxima mas teimosamente achava que ía ao hospital para me mandarem para casa em repouso (lol, as if?). A lua tinha mudado para quarto crescente naquela madrugada e eu com a ansiedade das últimas semanas até já contava luas qual devota de Maria Helena. Não tinha contrações e sentia-me ótima - e um pouco parva - a caminho do hospital mas chegando lá percebi que uma bolsa rota, quer seja um buraco grande ou pequeno, implica um bebé que tem que nascer. Foi quando ouvi a palavra internamento que me arrepiei e percebi que já não saía dali sem um bebé. Isso e que me tinha esquecido da escova de dentes em casa.

Fui posta numa sala no bloco de partos ligada ao CTG mas com liberdade para me movimentar. Sem dores e sem nada a chatear-me lá fiquei a conversar com o pai da criança, a ouvir música e a ler a autobiografia do Bruce Springsteen. Pelo visto, não ia ser preciso induzir o parto porque afinal estava com contrações apesar de não as sentir. Eram só moinhas, as tais que temos quando sofremos de dores menstruais mas que passam sem ser preciso tomar brufen. Passaram umas duas ou três horas e, só com um dedo de dilatação, comecei a sentir as verdadeiras contrações. Inicialmente foram suportáveis, com o Mário a massajar-me as costas para aliviar e a bola de pilates a ajudar-me nas posições mais estranhas. Às 7 da tarde percebi que não aguentava mais e que era preciso chamar a Nossa Senhora da Epidural. Nisto ainda estava com uns 3 ou 4 cm de dilatação, coisa pouca. Depois da epidural fiquei com a moca. Estava deitada quase a adormecer quando duas enfermeiras entram rapidamente no quarto e me deixam em pânico. Tinham deixado de apanhar o batimento cardíaco do bebé no CTG e as contrações estavam no pico apesar de eu agora não as sentir. A dilatação tinha aumentado para 7 numa questão de minutos e o bebé não estava a gostar da rapidez que as coisas estavam a tomar. Foi aqui que deixei de achar graça ao processo. Não queria saber de dores, de horas pequeninas, do que quer que fosse, só queria ter a certeza que ele ficava bem e que íamos conseguir, juntos, dar um final feliz a esta história.

As dores foram voltando aos poucos e às 10 da noite levei o reforço de epidural que fez com que, uma hora depois,  não sentisse dor alguma durante o momento expulsivo. Com 10 dedos de dilatação mas um colo estreito e um bebé a ter que sair rápido porque não estava nada contente com as contrações fiz força abdominal durante 10 minutos. Foi às 11 em ponto que nasceu o Eusébio, com a ajuda de uma ventosa e o cordão umbilical à volta do pescoço. Chorava desalmadamente quando o pousaram em cima de mim. “Que alívio”, foi a primeira coisa em que pensei. A segunda foi que ele tinha muito cabelo. O que vem depois é mais do mesmo: um bebé que dorme e mama, uma mãe dorida e uma família feliz. Tive uma hora pequenina mas intensa e, no final de tudo, o que interessa é que ali começou uma nova vida, uma oportunidade para que o melhor do meu mundo possa vir a ser alguém capaz de melhorar o mundo de todos.