"Quando for grande quero ser como tu"

Ou como fazer rádio numa viagem de finalistas

09 abril, 2016


É assim há 5 anos. Nós vamos ficando mais velhos e eles têm sempre a mesma idade, aquela de quem quer fazer todas as loucuras porque o amanhã não existe, sabem? Encaram a viagem de finalistas como um marco nas suas vidas enquanto nós assistimos e relatamos com paixão toda essa experiência inesquecível. É por isso que não escrevo há tanto tempo. Quando a rádio vai de viagem de finalistas a experiência radiofónica é tão intensa que nos ocupa o dia inteiro. Este ano também nós fomos de autocarro, e demorámos oito horas a fazer uma viagem que, para cima, durou metade do tempo. Punta Umbría foi o destino, sul de Espanha, ali perto de Sevilha num resort que só não era paradisíaco porque, afinal, estamos em Espanha com mais 8 mil pessoas e uns quantos milhões de hormonas.

A Maria e o Daniel levantavam-se para fazer emissão a partir das 8, hora espanhola. Quando a Maria ia ao bar pedir chazinho para a voz, já meio resort bebia copos de vodka amora, sem gelo. Boa história. Filma a miúda para colocarmos no vídeo recap do dia de hoje, anota-lhe o nome e a escola para falarmos disso no ar. Pergunta-lhe se tem mesmo 18 anos ou se pediu a alguém para lhe ir buscar a bebida à socapa. Ela que chame as amigas e vamos colocar uma foto no instagram e taggar a turma toda. Ela que mande beijinhos lá para casa.

Nos primeiros dias, os primeiros dois, ainda fui ao ginásio e ainda acreditei que conseguia passar todas as noites pelo Xspot a intercalar garrafas de água com copos de cerveja, evitando o gelo, evitando o gin e evitando o espetacular mundo do “vou dançar até de manhã”. Nos últimos dois dias a conversa mudou, e os “evitanços” tornaram-se obrigatoriedade.

Leva a câmara para o ginásio, é giro que a malta perceba que isto não é só vida loca. Leva a câmara quando fores acordar o puto que passou a madrugada a ligar para os quartos de toda a gente. Leva a câmara quando fores ao restaurante e perceberes, mais uma vez, que eles só comem batatas fritas!

Parafraseando Rihana: Work, Work, Work, work, work.  Não há rede social, câmara de filmar ou microfone que não esteja direcionado para captar a experiência no seu todo. Enquanto as manhãs dormiam a sesta, as Tardes, comigo e com o Paulo, criavam uma conta no Tinder para tentar fazer match com algum finalista mais afoito. Não aconteceu, ou porque só nos calhavam espanholas de olhos grandes, ou porque já estamos um pouco entradotes aos olhos de um estudante de 17 anos.

Hoje é dia de Pool Party e o estúdio é mesmo aqui, vai ser a desgraça. Finge que és dealer e diz aos miúdos que tens bilhetes para o Sudoeste. Oferece-lhes sem que estejam à espera. Eu filmo e depois fazemos reportagem no ar sobre isso. Não perguntes quantos copos já beberam, vamos sossegar os papás. Podem dizer tudo no ar menos asneiras.

Acabávamos a tarde já de noite e prontos para jantar e dormir. Só cumpríamos a primeira parte. Todos os dias, pratos diferentes e mil sobremesas à escolha e depois íamos dar aquela força às meninas da noite: Ana e Catarina. Já se sentia o cheiro a perfume e os micro shorts no ar.

Vê-se bem o palco hip-hop da varanda do primeiro andar, vamos pedir-lhes que nos deixem entrar no quarto para assistirmos de lá à liga knock-out e contamos a história no ar. Oferece-lhes bilhetes para o Sumol Summer Fest. Sim, off-air! Não te esqueças de fazer uma poll no twitter para tentarmos perceber o que o pessoal está a achar de nos ouvir a partir daqui e vê lá se já fizemos match com alguém no tinder.

Todos os dias o mesmo objetivo: passar através das ondas hertzianas a sensação de viver esta viagem de finalistas.

Preparaste a entrevista? Vem aí o Richie Campbell, os Grognation, o NTS, o Quentin Mosiman, este mundo e o outro! E eles vinham e tínhamos as perguntas na ponta da língua e mais qualquer coisa a acompanhar, com álcool ou sem. E lá íamos depois seguir-lhes as prestações em palco para que, no dia seguinte, soubéssemos do que é que os miúdos estavam a falar quando diziam que tinha sido “simplesmente brutal”. E assim se passou uma semana, de domingo a domingo, a dormir 5, 3, 1 hora por dia, a tentar viver ao máximo a experiência porque também a nossa faz parte da história. A tentar estar próximo de cada um dos finalistas e ao mesmo tempo ser relevante para quem ficou em Portugal. Ou na China ou em qualquer outro canto do mundo onde se oiça a Mega Hits. E para o ano somos finalistas outra vez, se Deus quiser.