The Princess Diarist - Carrie Fisher

Review

07 janeiro, 2017


Não sou a maior fã de Star Wars. O facto de não ser a maior não significa que não goste muito, porque gosto. Mas só vi os primeiros filmes com olhos de gente há dois anos. Os primeiros, na ordem cronológica e mais tarde apelidados de Episódio IV,V e VI. Por não ser uma fã muito antiga, há muita coisa sobre Star Wars que eu ainda não sei, especialmente quando toca a falar de pormenores mais relacionados com o backstage  e o subtexto dos filmes e das personagens. Esse ponto foi fundamental para gostar um bocadinho mais deste pseudo-diário de Carrie Fisher. Há muitas histórias sobre a filmagem do primeiro Star Wars que eu desconhecia, como o casting dos atores, as peripécias de três meses de filmagens em Londres ou mesmo o facto de Carrie odiar o emblemático penteado da Princesa Leia. O romance com Harrison Ford ( ou a confirmação do mesmo)  é a grande novidade e o centro da narrativa. O que lemos é uma miúda de 19 anos que acaba de deixar a casa dos pais e se apaixona por um homem casado mas, como qualquer adolescente, acha que vai ser para toda a vida. O que antevemos nas palavras de Carrie Fisher é um Harrison Ford demasiado calado e demasiado desligado daquela que era a relação que Carrie ambicionava. Porém, não há nunca nenhuma palavra feia para o definir ou qualquer arrependimento ou pena sob aquilo que aconteceu e isso é bonito, porque também é amor, 40 anos depois.

É o humor de Carrie Fisher que salva todo o livro. A escrita dela é carregada de apartes humorísticos o que faz com que não esteja a contar uma simples história que viveu há muitos anos mas a avaliá-la com a maturidade e o discernimento próprios da distância. A meio do livro a história vai-nos ser revelada pelas páginas do diário que Carrie escreveu precisamente na altura em que tudo se passou. E é aí que juntamos ainda mais peças e percebemos como estava apaixonada, assustada e consciente do amor proibido que vivia - By the way, há poemas lindos no diário!

 

Obviamente que, do início ao fim, todo o livro atravessa a história da personagem com a qual  Carrie teve que conviver ao longo de toda a sua vida - a Princesa Leia. As duas misturam-se e Carrie chega a sentir-se frustrada por não ser tão boa quanto a Princesa que encarna. Se, por um lado, a chateia ser reconhecida por alguém que não é ela, por outro, Carrie sabe que quando morrer a Princesa Leia vai continuar sempre a honrá-la e isso aquece-lhe o coração. Não deixa de ser quase mórbido perceber que ao longo do livro - que foi lançado em outubro, apenas dois meses antes da sua morte - Carrie fala imensas vezes da sua própria morte e de como, com certeza, se vai sentir envergonhada quando depois de morta vier a saber que alguém está a ler esta história.

Who do I think I would’ve been if I hadn’t been Princess Leia? Am I Princess Leia, or is she me? Split the difference and you’d be closer to the truth. Star Wars was and is my job. It can’t fire me and I’ll never be able to quit, and why would I want to? (This is both a rhetorical and real question.)

Eu gostei. É um livro realista e despretensioso, sem floreados e, se calhar, sem tantos pormenores como o leitor pode achar que merece. É como se Carrie tivesse omitido a parte da história com menos interesse ou simplesmente tenha contado tudo e o tudo acaba por se revelar demasiado normal para uma estrela de cinema. É a história bonita de alguém que viveu sempre na pele de uma personagem que amava mas que a fazia sofrer por poder estar a perder a oportunidade de ser apenas ela própria. A história que honra a atriz e mostra o amor, a integridade e o talento da mulher.