mojo pin by Filipa Galrão


Radio Host. Book Lover. Music Addict. Mom Under Construction.

Viajar com bebés. A nossa experiência pelos Açores.


O Eusébio vai andar de avião. OH-MAI-GOD


A Mamii: o meu bebé mais pequenino


Os Arcade Fire organizaram uma festa e eu fui

Estou com ressaca pós-concerto apesar de não ter bebido nada. São aquelas dorzinhas no corpo quando a adrenalina e a excitação se vão e fica o entorpecimento da felicidade. Este ano já decidi que quero escrever sobre todos os concertos a que for. Não é justo não falar de uma das coisas que mais prazer me dão, que é ver a música que gosto a acontecer ao vivo. Não escrevi sobre Bob Dylan, parece-me que sou humilde o suficiente para perceber que aquilo não foi um concerto, mas algo mais  transcendental e sem espaço para as minhas palavras. Vamos à festança dos Arcade Fire, então.

Foto tirada com o telemóvel que me pareceu muito gira mas só até a abrir no computador.

Foto espetacular da grande Rita Carmo que claramente levou a sua melhor máquina e tem muito jeito para isto.

Não sou das que ficam tristes quando o artista não interage com o público e acho até que essa é uma fraca observação sobre aquilo que é, ou deve ser, um concerto. Não pago bilhete à espera que a banda me diga olá e adeus em português para eu ir para casa descansada, deus me livre. E se vezes há em que berro as letras do início ao fim, outras existem em que fico só absorta a pensar como é que o guitarrista afinal sabe tocar bateria ou há quantos meses anda aquela gente em tour sem ver a família, coitadinhos. Não sou portanto a Pide dos concertos e, não o sendo, o que digo é mera opinião: o concerto dos Arcade Fire no Campo Pequeno foi do…vocês sabem, não me obriguem a escrever uma asneira para definir o soberbo. Depois de 40 concertos nesta nova tour ( tantos dias sem ver a família, credo) onde já toda a gente sabe de cor a setlist que aí vem, a única surpresa só pode surgir do alinhamento perfeito dos astros. E assim foi. Com Saturno na 3ª casa ou algo parecido, a festa que se fez no palco em formato de ringue foi igual à que se fez fora dele. Que se lixe o "Olá Portugal" quando isto acontece. Quando há um palco ao centro que permite a experiência a 360º. Para eles e para nós. O resto é tudo: as músicas incríveis de uma banda carregadinha de bons instrumentos e de quem os sabe tocar. Até para os menos fãs de "Everything Now", o último álbum, pretensiosamente mais pop e menos alternativo. Eu bem os vi a vibrar por todo o lado. Há dança, sorrisos rasgados e um palco secundário numa das bancadas. Todos a sentir o que fazem e a fazer-nos sentir o mesmo, quer sejamos entendidos na matéria ou não. É isto que eu quero quando vou a um concerto, que o artista goste do que está a fazer, podendo demonstrá-lo aos pulos e a destilar suor e gritos, ou  sentado ao piano numa expressão intimista, não importa. Só quero que o artista esteja lá e não num quarto escuro. Que haja amor na sua arte, tanto como aquele amor que todos devíamos ser obrigados a declarar logo quando compramos bilhete. Seria justo. Um bom concerto é sem dúvida alguma aquele onde a banda se transforma no reflexo da sua audiência. Algo tão único que até David Bowie compareceu. "It's just a Reflektor", disseram eles. Mas estava lá que eu vi. 

SETLIST:

Everything Now
Rebellion (Lies)
Here Comes the Night Time
Haiti
No Cars Go
Electric Blue
Put Your Money on Me
It’s Never Over (Oh Orpheus)
Neighborhood #4 (7 Kettles)
Neighborhood #2 (Laika)
Neighborhood #1 (Tunnels)
The Suburbs
Ready to Start
Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
Reflektor
Afterlife
Creature Comfort
Neighborhood #3 (Power Out)

Encore:

We Don’t Deserve Love
Everything Now (Continued)
Wake Up


Co-sleeping e "Co-tudo"


Meanwhile on my instagram...