Dia do Pai. “Com amor e gratidão da Filipa Galrão”

19 março, 2018


Andava eu na primária quando a professora alertou a minha mãe para o facto de eu só escrever em verso. Quadras eram a minha especialidade sempre que a palavra composição vinha à baila e julgo que a professora tinha medo que a minha prosa saísse prejudicada. Lembro-me de ser obrigada a escrever em prosa e de me sair tudo muito mais atabalhoado do que quando optava por um esquema rimático. Não sei precisar se foi a partir daí ou mais tarde que mudei o chip e deixei a escrita da poesia para nunca mais lá voltar, mas sei que ano após ano escrevia poesia e assinava o mesmo em todos os presentes do Dia do Pai: “Com amor e gratidão, da Filipa Galrão”. O facto de ter um apelido a terminar num ditongo facilitava e eu achava o máximo poder rimar aquilo que realmente sentia com o meu próprio nome. Os anos passam e não posso estar realmente mais grata e apaixonada pelo meu pai. Porque resmunga por tudo e por nada, mas não há um dia em que não esteja lá, seja para resolver as infiltrações e mudar o exaustor, ou levar-me por um braço até ao altar.  Não há um dia em que não ache que ele me vai salvar sempre de qualquer enrascada porque é isso que ele faz. Estou mal habituada, eu sei. Problemas de quem tem pais super-heróis.

Há seis meses nascia um novo pai na minha vida, o pai do Eusébio, e o verso do amor e da gratidão tem agora mais um motivo para ser repetido para sempre. Se me arrelio quando o vejo a descer as escadas com uma mão no bolso e a outra a pegar no filho, enche-me de orgulho perceber que o adormece melhor do que eu e lhe transmite uma calma e paciência que eu nunca terei. Também lhe dá a sopa sem o sujar, o que torna difícil arranjar-lhe defeitos nestas lides de pai.  Parabéns a todos os pais! Se vos disserem que, nós mães, queremos que nos ajudem nisto da parentalidade, não acreditem. Nós só queremos que continuem a ser Pais. Aqueles que os nossos filhos vão dizer que são os melhores do mundo.