Férias com o bebé no outro lado do mundo

14 maio, 2019


A ansiedade de ir de férias rapidamente parece dar lugar à frustração de saber que as mesmas terão um fim. Odeio esse sentimento e se há momentos em que vivo um dia de cada vez sem sofrer por antecipação é quando estou de férias. Assim, se tiver que dar o melhor conselho para essas alturas,  com certeza cairei no piroso carpe diem. Entretanto, encheram-me a caixa de mensagens com todas as questões que têm sobre as últimas férias que fiz com o Eusébio, um bebé na flor do seu ano e meio ( 20 meses, para ser mais exata) e por isso aqui estou com as respostas.

A companhia: não a aérea mas sim a humana, que será sempre uma parte fundamental para o sucesso de qualquer viagem. Desde há 4 ou 5 anos que viajamos praticamente com as mesmas pessoas, amigos de coração em quem confiamos e que gostam de viver as férias com descontração e espírito aventureiro, como nós. Um desses casais tem uma bebé um mês mais nova que o Eusébio - a pequena Amélia - que, de vez em quando, também brilha lá no meu instagram. A velha máxima que diz ser preciso uma aldeia para criar um bebé ganha força neste grupo. Numa semana somos seis pessoas a criar dois bebés a tempo inteiro.

A escolha do destino: Tinha algum preconceito em relação a férias em resort, confesso. Achava eu que mochila às costas a enfiar-me em qualquer hostel seriam o ideal para conhecer o mundo, absorver uma cultura e sentir que saía mais rica de umas férias. Na verdade, continuo a achar o mesmo, mas sei que férias em resort também são ótimas, por outros motivos. Desde a lua de mel em Bali que não fazíamos férias de praia fora do pais e sentimos que, com os miúdos pequenos, seria o ideal. Eles adoram água e, se estiver quentinha, melhor ainda. A República Dominicana surgiu quando percebemos que existia vida para lá de Punta Cana. Samaná é na zona norte do país, sem mar do Caribe mas com um Oceano Atl|antico cheio de corais e água a 27 graus. Com o plus de ter apenas dois resorts e menos turistas nesta altura do ano.

As viagens de avião e os transferes:  Só a partir de junho há voos diretos de Lisboa para Santo Domingo, a capital, onde aterrámos vindos de Madrid. Assim, excluímos logo agências nacionais. Marcámos tudo online numa agencia espanhola, Viajar Caribe, que tem condições ótimas e muitas facilidades, uma delas é o facto de podermos pagar a viagem até um mês antes da partida. Pagámos 10% quando reservámos, em janeiro, e depois fomos abatendo ao longo dos meses. Os bebés com menos de dois anos não pagam estadia e só pagam uma taxa mínima de bilhete de avião (cerca de 26 euros ida e volta). Nenhum deles tinha ainda passaporte e, mesmo assim, conseguimos concluir a reserva e manter o contacto por WhatsApp com um responsável da agência, assegurando sempre que tudo estava bem. Marcámos depois à parte um voo TAP Lisboa - Madrid. No regresso fizemos uma escala grande o que ainda nos permitiu almoçar e dar um passeio pela cidade.

Fomos pela Air Europa. Nunca tinha viajado com eles e as críticas não eram as melhores. O avião era um Boeing 787 Dreamliner, um modelo novíssimo com fuselagem totalmente composta por fibra de carbono e com redução de ruído, um sonho portanto, mas os assistentes de bordo deixam muito a desejar no que à simpatia diz respeito e uma pessoa fica triste. Pareciam todos estar a fazer um frete, não sorriam e não foram nada compreensivos com o facto de termos bebés, antes pelo contrário. Quando punha o Eusébio nos corredores para ele correr um bocadinho ficavam muito incomodados e mandavam-nos logo sentar ( isto mesmo sem turbulência e sem estarmos a incomodar ninguém). Para Santo Domingo são quase 8 horas de voo, no regresso um pouco menos. Fomos durante o dia e o Eusébio fez de tudo um pouco, mamou, viu desenhos animados, andou de colo em colo, correu no corredor, fez dois ou três cocós o que, parecendo que não, ocupa logo muito tempo de viagem tendo em conta toda a aventura de mudar uma fralda na casa de banho de um avião, e também dormiu uma boa sesta. Para cá mamou quando ainda estávamos na pista e dormiu o voo INTEIRO, ao contrário de mim que não consegui pregar olho porque dormir no avião é coisa que nunca consigo fazer. Viagens longas de avião superadas! O bebé até acaba por ser mais um motivo de distração, quando já não conseguimos ler ou ver filmes, o que é bom.

Alguém perguntou sobre transferes e cadeirinhas auto. Well, de Santo Domingo a Samaná são 2h45 de viagem, num mini bus da Soltour - a agência que nos acompanhou no terreno e que nos tratou incrivelmente bem - mas estes mini bus não têm cadeirinha auto, nem os taxis que nos levaram para os passeios que fizemos nem, obviamente, o barco onde andámos em pleno mar alto mas onde, mais um vez e com o balanço intenso, o Eusébio dormiu o caminho todo. Se senti que o meu filho não ia seguro? Não, nem pensei nisso, faz parte da aventura de viajar para um país culturalmente e socialmente diferente e eu aceito.

A alimentação no Resort: a pior parte mas sempre a sentir que a culpa era minha por não estar a gostar. Aqui custa-me mais aceitar o “culturalmente e socialmente diferente”, pelo menos ao fim de 3 ou 4 dias sem opções saudáveis para o bebé. Para mim, era indiferente. Se num dia abusava dos fritos, no seguinte comia mais salada mas, para os bebés, chegou a ser angustiante. A única sopa de jeito que houve era de espargos e não estava grande coisa, tive de dá-la com pão. Normalmente optava pelo frango que, com muita sorte, não era panado nem frito, escolhia o arroz branco ou de ervilhas,  e compensava tudo com MUITA fruta. O Eusébio adora melancia e papaia e houve umas quantas refeições em que não lhe dei mesmo mais nada. Ele mamou sempre muito e esteve sempre bem disposto, o que me deixou descansada. Foi incrível perceber como a zona do menu infantil era a que tinha as opções menos saudáveis. E, do menu dos adultos, dar-lhe bife com molho de pimenta ou filetes de dourada com molho de alho também não foi coisa que ele apreciasse muito. Para quem tem bebés que mamam e gostam de fruta, acho que as refeições se fazem com tranquilidade, de outra forma sugiro que levem papas ou mesmo sopas de boião. Levei saquetas de fruta e bolachinhas saudáveis que lhe dava de vez em quando mas o mais importante foi perceber que ele não passou fome e uma semana não fez mossa, nem na educação alimentar que já tinha, nem na saúde.

A rotina do bebé: não sou de rotinas nas férias, desculpem-me pais que seguem horários de sestas à risca. Na verdade, acho que o Eusébio nunca dormiu tão bem. Em vez de uma, dormia duas sestas, sempre sem hora marcada, e à noite ficava KO muitas vezes antes de jantar. Acordávamos todos mais ou menos à mesma hora, 6h30/ 7h. Ele delira com água e, se a independência dele pode ser perigosa numa praia portuguesa apinhada de gente em pleno agosto, no calmo areal de El Portillo, foi perfeita para o ver desenvolver a destreza motora enquanto corria sozinho dentro e fora de água. É cansativo para os pais mas só se estivermos no mindset errado. Claro que não consegui ler nenhum dos dois livros que levei, claro que não nadei infinitamente até não ter pé e também acabaram para mim as tardes a torrar na espreguiçadeira. Por outro lado, ganhei novas experiências. Apanhei todo um bronze enquanto caminhava à beira da água e me agachava para colecionar pedrinhas. Descobri os encantos de salvar uma criança feliz dos pirolitos e de curtir a rebentação sempre com uma mãozinha pequenina agarrada a mim. Bem, nem sempre, porque o desgraçado é todo mãos livres para poder fazer o que quer. Não pusemos os pés na piscina porque a praia era mesmo incrível e, na maioria dos dias, trocámos as espreguiçadeiras pela sombra das palmeiras na zona fora do resort onde a praia tinha ainda menos gente. No entanto, dou dez pontos à piscina das crianças, com 40 cm de altura de água e um manancial de escorregas onde nós, adultos, não podíamos andar. Pouco movimentada e ladeada pelo ginásio e court de ténis, que também usámos. O facto de termos recusado o serviço de wi-fi premium também contribui para umas férias mais descansadas e dedicadas aos bebés. Só tínhamos acesso à internet quando passávamos pelo lobby do hotel e muitos foram os dias onde isso só acontecia durante cinco minutos. Sinto mesmo que estas foram as férias onde desliguei mais. Estava longe não só fisicamente o que foi ótimo para retemperar. Em suma, ter filhos é cansativo, não é só nas férias, por isso não acho que essa seja uma desculpa para não os levar. Outras existem mas só estarei apta a falar sobre elas quando viver a experiência :)

Valores para dois adultos e um bebé:

Cerca de  2,600 Eur Viagem Madrid - Santo Domingo e estadia de 8 dias no Gran Bahia Príncipe El Portillo; Cerca de 120 Eur Viagem Lisboa - Madrid - Lisboa