Viajar com bebés. A nossa experiência pelos Açores.

16 junho, 2018


Foram 9 dias, 4 ilhas, 5 viagens de avião, 4 carros alugados e 2 viagens de barco. Dois bebés, de 7 e 9 meses,​3 casais.  E isto são só números que  ​muito pouco refletem a viagem e a experiência incrível que vivemos todos, os oito, sem excepção. Pediram-me dicas de como me organizei com o Eusébio neste périplo, mas a organização foi conjunta e tenho mesmo de agradecer ao grupo com quem viajei. Por isto, a minha primeira e mais importante dica sobre esta e qualquer viagem será sempre: viajar com pessoas de quem gostam e em quem confiem. No nosso caso, adoramos viajar sempre em manada e agora com o bebé a fórmula repetiu-se e correu ainda melhor. Senti-me como aquelas comunidades indígenas onde, quando nasce um bebé, todos ajudam no que for preciso. Não deveria ser sempre assim e em qualquer comunidade? Contas para outra altura, vamos às dicas de como viajar com bebés e desfrutar ao máximo.

  1. As papas e as sopas
    ​Acordávamos todos os dias cedo, por volta das 8/9 e alinhávamos a agenda do dia. Como ficámos hospedados sempre em Airbnb, o objetivo foi conseguir tomar o pequeno-almoço em casa e preparar as sopas para os babies. Todas as casas onde ficámos tinham os utensílios necessários e só tivemos que comprar os ingredientes. Digo "só" mas houve dias em que esta estratégia não resultava. Mini mercados sem legumes, sopas péssimas que foram parar ao lixo ou falta de tempo para as preparar. Sem stress, nesses dias, salvavam-nos as papas e os boiões da Holle e da Nutribén. Levámos daqui e fomos abastecendo conforme encontrávamos à venda. Fruta fresca e muita maminha também nunca faltou. Como passava o dia inteiro comigo, naturalmente que o bebé mamava mais e não era só porque tinha fome, por isso acredito que, para bebés que não mamem a questão da alimentação se resolva muito bem na mesma. ​Só não será tão prática. Nos primeiros dias ainda tentámos que nos restaurantes nos fizessem as sopas mas nunca aconteceu. Melhor dica: fiquem hospedados num sítio que vos permita preparar as sopas. Não precisa de ser diariamente, visto que uma panela de sopa serve  para algumas refeições. Andem sempre com um termo de água quente atrás, há viagens de carro que são longas e uma papinha quentinha pode saber bem pelo caminho.

  2. O bebé nos locais a visitar
    ​Só houve duas coisas que não fizemos porque viajávamos com bebés e foi mais por precaução do que por impedimento: ver baleias e subir ao ponto mais alto da Montanha do Pico. Já íamos daqui a achar que bebés com menos de três anos não podiam entrar nas lanchas que nos permitem fazer a observação de cetáceos em alto mar. Não podem mas existe uma empresa, a Aqua Açores, que tem barquinhos com cabine e nesses sim, é possível levar os bebés. Soubemos disto tarde de mais e sendo que uma viagem de observação dura cerca de 3 horas, não tivemos tempo de preparar a logística. Ainda assim, quando forem ao Pico, não deixem de o fazer. É a melhor ilha para conseguirem ter esta experiência. No caso da montanha, o facto de ser uma subida com um grau de dificuldade moderado, com uma descida ainda mais difícil pareceu-nos demasiado arriscado. Tudo o resto merece um valente check. Subir aos miradouros mais altos, descer pelas crateras e algares de vulcões mais profundos, tomar banho nas quentíssimas águas vulcânicas e, sobretudo, contemplar. Cada ilha açoriana merece contemplação, pela sua beleza natural e características únicas. Acredito que os inúmeros estímulos da natureza foram ótimos para os bebés, que todos os dias se portaram lindamente. Melhor dica: não ter medo. O bebé é um ser-humano igual a nós, apenas mais pequenino e mais dependente. Connosco por perto nada de mal lhe vai acontecer. Vai ser cansativo cuidar de um bebé durante a viagem, mas não é mais do que já cansa no dia-a-dia. E temos ainda mais paciência porque, na verdade, estamos de férias, onde o tempo e o espaço ganham nova e maior dimensão. Além disso, os Açores são baby-friendly. Não senti o turismo exacerbado de que se fala, nem sítios perigosos ou menos adequados ao bebé, muito pelo contrário.

  3. O carrinho e a mochila ( e o colo!)
    ​Em todo o lado é possível passear com o bebé, é preciso é escolher bem o meio de deslocação da criatura pequenina. Vamos subir encostas e descer vulcões? Levamos a Ergobaby. Gerou controvérsia no meu instagram porque na maioria das vezes em que usei a mochila, coloquei o Eusébio na posição frontal. Bem sei que não é a mais ergonómica mas, acreditem, foi a mais adequada e confortável para ele e explico porquê. O Eusébio tem 9 meses e não aguenta estar virado para mim, contorce-se todo e só acalma quando o viro para a frente - levá-lo nas costas também é uma opção mas, mais uma vez, como não fizemos caminhadas de mais de meia hora com ele na mochila, não houve necessidade de o passar para trás. Tenho também o modelo de Ergobaby - Omni 360 - que obecede aos mais altos padrões de design ergonómico na posição frontal. Uma vez montei a mochila tão à pressa que só depois vi nas fotografias que havia braços mal colocados e pernas tortas e ele sem se queixar, o sacana. Mas a culpa é minha, que sou muito desajeitada. Aconselho este modelo de Ergobaby a toda a gente, fácil de ajustar a qualquer criança, cómodo para o bebé e para quem o carrega. Quando passeávamos pela cidade, em terreno plano ou nas idas ao restaurante, levámos sempre carrinho. Sabem aquela felicidade louca que vos atinge quando percebem que fizeram a escolha certa? Juro que era o que eu sentia sempre que abria o carrinho que, tal como eu previra, é o melhor carrinho de bengala que eu já vi. O Yezz da Quinny tem rodas de skate que o tornam super rápido, é extremamente leve ( 5kg), com apenas uma pega redonda é facilmente conduzido só com uma mão, dobra-se só com um toque e traz uma alça que permite transportá-lo ao ombro e assim ter as duas mãos livres, coisa que deu muuuuuito jeitinho em todos os aeroportos. Tem apenas um contra que, na verdade, não nos fez falta: não reclina a 180 graus. Se o vosso bebé for muito pequenino ou se gostar de dormir sestas no carrinho, não aconselho este modelo.  Entre carrinho e mochila, o Eusébio andou também muitas vezes ao colo. Qualquer um, de qualquer estranho. Ele não se queixa nem pede desesperadamente para voltar para o colo da mãe, para minha tristeza, contudo esse seu toque de personalidade deu jeito para descansar o bícep e, mais uma vez, foi útil viajar com um grupo grande, também por isso. Melhor dica: assegurem-se que levam um carrinho leve e prático, seja qual for a idade do bebé. Os carrinhos não pagam taxa na SATA, nem na TAP ( nem na maioria das companhias aéreas, mesmo as low-cost) mas informem-se SEMPRE junto da companhia com quem vão viajar. Há muitas facilidades para quem viaja com bebés e não senti falta de apoio em momento algum, desde o momento do check-in até sair do avião. 
    Eusébio no seu Yezz Quinny, que comprámos a achar que era vermelho mas que ao vivo inclina mais para o cor-de-rosa. #nogenderrules :D
  4. Os horários e as rotinas
    ​ Estaria a mentir se dissesse que cumprimos todas as sestas e que o Eusébio comeu sempre a sopinha à mesma hora, no entanto, fiquei surpreendida com a capacidade dos bebés para se adaptarem rapidamente a uma nova rotina. Apesar da diferença horária ser pouca, aquela horinha a menos nos Açores parecia dar-nos algum tempo. Não foram raras as vezes em que olhávamos para o relógio e nos surpreendíamos por "ainda ser cedo". Os bebés almoçaram quase sempre antes de sairmos de casa​, por volta do meio-dia, e jantaram quando chegávamos, quer fosse às oito ou às dez. As sestas eram dormidas no carro durante as viagens e não tinham hora certa. Aconteciam quando eles queriam. As noites corriam sem grandes precalços com o Eusébio a dormir muitas vezes a chamada noite inteira, e acordava de manhã sempre bem disposto. Melhor dica: se o bebé estiver irrequieto, com birra, a precisar de dormir a meio do dia e em locais impróprios como um passeio pelas Furnas ou uma subida ao Pico, respirem. Não é o fim do mundo atrasar o que estão a fazer para adormecer o vosso bebé, ele agradece e quando acordar vai estar mais bem disposto e pronto para retomar o passeio. 

  5. O avião, o barco e o carro
    ​ os bebés deram-se bem em todos os meios de transporte e até foi no carro que surgiram os maiores stresses. No avião fez viagens completas a dormir e nas viagens de barco, que não duraram mais de 20 minutos, igual. Quando acordava tentava que mamasse para evitar enjoos e dores nos ouvidos. ​Não notei que sofresse com as diferenças de pressão mas a verdade é que, nos voos entre ilhas, as avionetas não atingem uma grande altitude. No carro encontrámos algumas dificuldades sobretudo porque as cadeirinhas que as empresas de Rent-a-Car nos arranjavam nem sempre eram adequadas. Aconteceu na Ilha Terceira. Hiperventilei um pouco ao ínicio para depois perceber que, em algumas viagens, era mais seguro transportá-lo ao colo. Que o Nosso Senhor das Cadeirinhas me perdoe mas o meu instinto de mãe não aguentou. Melhor dica: se o vosso bebé é muito pequenino levem o ovo convosco. Mais uma vez, a maioria das companhias aéreas despacham a cadeirinha sem que paguem taxa extra. Informem-se! Tanto junto da companhia aérea como da Rent-a-Car. Sempre nos asseguraram que tinham as cadeiras mas, na verdade, são cadeiras que eles subalugam não sei bem onde, e algumas não vêem nas melhores condições. 

​Viajar com um bebé pode ser motivo de grande ansiedade, eu sei, eu também o senti. Um dia antes de partirmos o Eusébio estava com febre, fomos ao centro de saúde e até se pôs a hipótese de varicela. Se assim fosse, não poderíamos ter voado. Não era! Muni-me de Ben-U-Ron e Brufen, vigiei-o o tempo todo, aspirei-lhe o ranho. Na manhã seguinte já não tinha febre e nessa noite viajámos sem medos. Levámos os medicamentos todos connosco. Foram muitas as vezes em que andou com ranhoca no nariz e muitas as vezes em que tive medo que a febre voltasse. Não voltou. ​Sei que muitos pais teriam adiado a viagem mas nós nem pensámos nisso porque confiámos que tudo ia correr bem. E correu. Ter medo vai sempre fazer parte mas não podemos deixar de fazer as coisas, de lhes proporcionarmos as experiências, de viajar, porque no fim de contas é isto que é viver.  

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